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Diane Tillman escreve sobre o VIVE Crianças de Rua PDF Imprimir E-mail
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Melhorando as vidas das Crianças de Rua
através da Educação de Vivência de Valores 

por Diane G. Tillman  

  Nota da versão brasileira: No Brasil, o programa chama-se Vivendo Valores (VIVE) – Crianças de Rua ou em Situação de Risco, explicitando que ele é aplicável a ambas as situações, e é coordenado pelo IVV –Instituto Vivendo Valores.  

Uma conseqüência trágica do mundo de hoje é o número rapidamente crescente de crianças de rua. As Nações Unidas estimam a população mundial de crianças de rua em 150 milhões. Estas crianças são freqüentemente abandonadas, mas também órfãos da AIDS ou prole de pais pobres, que os mantêm vivendo e trabalhando nas ruas. Adicionalmente, algumas crianças estão nas ruas porque fugiram de lares abusivos. As crianças de rua são com freqüência “vítimas indefesas de brutal violência, exploração sexual, abjeta negligência, dependência química e violação dos direitos humanos” (Pangea, 2001).São freqüentemente usadas como objetos. 

Podemos ajudar crianças de rua? Certamente. Podemos ajudá-las a construir resiliência e habilidades sociais de proteção, e engajá-las num processo de aprender a apreciar e praticar a paz e aprender a cuidarem umas das outras? Sim. Podemos reacender atitudes positivas em relação a estas crianças e jovens da comunidade nos adultos? Sim. Podemos educar as crianças sobre seus direitos e conseguir que elas eduquem a comunidade para diminuir o tráfico sexual? Esta é a nossa esperança. Estas são umas poucas das metas dos educadores que estão trabalhando com os materiais do Programa Vivendo Valores para Crianças de Rua. 

O Programa Vivendo Valores, um Programa Educacional (VIVE) é um abrangente programa de educação em valores. Este inovador e global programa de educação em valores oferece uma variedade de atividades de vivência de valores e metodologias práticas para educadores, facilitadores, pais e cuidadores que possibilitam às crianças e jovens explorar e desenvolver os valores-chave universais: Paz, Respeito, Amor, Cooperação, Liberdade, Felicidade, Honestidade, Humildade, Responsabilidade, Simplicidade, Tolerância e União. Iniciado em 1996, o VIVE é aplicado atualmente em 78 países em mais de 7.000 locais. Educadores no Brasil começaram a usar os materiais do VIVE numa escola para crianças de rua com sucesso. Entretanto, havia necessidade de materiais mais especializados para ajudar as crianças de rua a lidarem com o trauma e desenvolverem habilidades sociais de proteção. Com este objetivo, o Vivendo Valores iniciou um novo programa especialmente para crianças de rua em 2002. Três publicações de Atividades de Vivência de Valores para Crianças de Rua foram criados para crianças nas idades de três a quatorze anos (Tillman, 2002, 2003). 

O primeiro treinamento para educadores de rua e agências que cuidam de crianças de rua teve lugar no Vietnã em outubro de 2002. Desde então, subseqüentes treinamentos foram realizados na Argentina, Brasil, Indonésia, Paraguai, Senegal, África do Sul e Turquia. Este artigo descreve o programa e relatórios narrativos de educadores aplicando o VIVE-Crianças de Rua no Brasil, África do Sul e Vietnã. 

Crianças de rua, especialmente, necessitam de um enfoque educacional baseado em valores que inclua o desenvolvimento de relações de confiança com educadores acolhedores e seguros. Estas crianças e jovens variam imensamente em seu nível de desconfiança e dor. Algumas foram acalentadas antes de perderem seus pais pela AIDS ou outra doença, e são cuidadas por seus irmãos mais velhos. Outras foram abusadas desde tenra idade e podem nunca ter conhecido um relacionamento acalentador. Quando as crianças encontram um educador na rua que parece ter um interesse amigável, elas podem assumir que o adulto tem um interesse disfarçado, tal como sexo ou venda de drogas. Adultos que estejam interessados nelas como pessoas são muito raros em seu mundo. 

As crianças de rua estão expostas a ou enfrentam coisas a que nenhuma criança deve estar sujeita. As crianças necessitam de educação, e precisam ser cuidadas e acalentadas. Educação é um direito. Este direito humano fundamental é importante para todas as crianças, já que possibilita a elas desenvolveram-se na direção de seu potencial. A ausência da educação traz conseqüências medonhas para a criança, e conseqüências negativas para a sociedade como um todo. As crianças de rua com freqüência aprendem comportamentos que interferem não apenas com o bem estar intrapessoal e interpessoal, as que afetam também negativamente a adaptação mais tarde e a contribuição para uma sociedade saudável e produtiva. São-lhes ensinados comportamentos nas ruas que provocam danos ao eu e aumentam a probabilidade de tratarem os outros do mesmo modo.

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Crianças de Rua fazendo lições do VIVE-Crianças de Rua no Vietnã 

A educação é “um dos principais meios para reduzir a pobreza, a exclusão, a ignorância, a opressão e a guerra” (Delors, 1996). “Aprender a ser” e “aprender a conviver” são essenciais se queremos abrir as portas para a coesão social, sociedades harmônicas e um mundo melhor para todos. 

O VIVE-Crianças de Rua não apaga o efeito de ter sido abandonado ou abusado. Contudo, dá às crianças e jovens a oportunidade de construir um relacionamento de confiança com um adulto acolhedor, e habilidades sociais de proteção para ajudá-las a ficarem seguras nas ruas. O programa constrói habilidades atitudinais e sociais para aumentar sua chance de sucesso se receberem a oportunidade de aprender em outras instalações educacionais. Sugestões são incluídas para o envolvimento da comunidade, educação geral, treinamento vocacional e educação em valores adicional. Sugestões para cooperação entre agências usando o VIVE-Crianças de Rua são feitas para áreas onde o tráfico sexual prevalece. Nossa esperança é criar um mundo de cuidado e educação no qual estas crianças mais vulneráveis possam desenvolver seu potencial. 

Uma descrição dos materiais do VIVE-Crianças de Rua 

Atividades de Vivência de Valores para Crianças de Rua idades 3 a 6 anos contém 70 lições, as publicações para 7 a 10 anos e 11 a 14 contêm um pouco mais. Algumas das lições são adaptadas dos valores Paz, Respeito, Amor, Cooperação e Honestidade dos livros de Atividades de Vivência de Valores para Crianças (Tillman e Hsu, Tillman 2000). Estas atividades desenvolvem nas crianças sentimentos positivos, idéias, e experiências de valores, assim como constroem habilidades sociais e emocionais e habilidades de resolução de conflitos. Compartilhar, pensar, criar e aprender habilidades sociais cooperativas estão combinados com representar, arte, cantar, dançar e exercícios de imaginação. As crianças mais velhas também fazem mapas mentais e desenvolvem o entendimento cognitivo sobre os efeitos dos valores e dos anti-valores.  

Além disso, há uma série de histórias sobre uma família de crianças de rua. As Histórias da Família de Crianças de Rua para 3 a 6 anos fazem a narrativa de duas crianças, Fred e Katie, que inicialmente vivem num sítio com seus pais. O pai e a mãe servem como vozes para valorizar as crianças, e a voz da mãe continua como uma força sustentadora na memória de Fred mesmo depois que ele e Kátia perdem ambos os pais e vão viver nas ruas. Fred e Katie são amparados por um rapaz ligeiramente mais velho, Mohammed, e juntos eles se tornam uma família de crianças de rua. As histórias servem de meio para educar sobre e discutir temas relacionados à violência doméstica, morte, AIDS, traficantes de drogas, drogas, abuso sexual, e abuso físico. Os temas pobreza, falta de comida, medo quando adultos discutem, segurança, cuidar de pais doentes, sexo, medo à noite, os efeitos das drogas, pedir, desejo de aprender e irmãos mais velhos que batem são também tocados. As histórias oferecem perspectivas saudáveis. Por exemplo, é dito às crianças que elas são naturalmente dignas de amor e valiosas, que nunca é sua culpa quando adultos discutem, e que é errado adultos baterem em crianças. As histórias apresentam maneiras de pensar e métodos positivos para enfrentamento de situações. Por exemplo, a mãe ajuda Fred e Katie a lidar com a morte do pai ensinando-lhes a enviar amor, tanto Mama como Mohammed ajudam Fred a aprender a ficar mais seguro e ajudam-no a aprender a importância de manterem Katie segura de homens não seguros. 

Três fantoches juntam-se ao educador para estas lições. No começo de cada “lição de ficar seguro e de cuidar”, Rocco, o guaxinim, ensina higiene, e a srta. Dragão ensina boas maneiras. A srta. Dragão ajuda as crianças a construir a Tenda da Paz. O fantoche  Estrela da Paz conduz as crianças a preencherem-se de paz, respeito e amor. 

As Histórias da Família de Crianças de Rua para crianças de 7 a 10 anos fazem a narrativa de três crianças, Nelson, Marion e Joe, que inicialmente vivem com seus pais. O pai e a mãe servem como vozes para valorizar as crianças, a irmã da mãe, tia Lonnie, continua como uma força sustentadora depois que ambos os pais morrem. Nelson, Marion e Joe tornam-se uma família de crianças de rua que é amparada por Fred e Mohammed, outras crianças de rua que vivem num beco em volta de uma grande árvore. Célia e seu irmãozinho, Sammy, tornam-se mais tarde parte desta família. 

Para crianças de 11 a 14 anos, o mesmo conjunto de personagens das histórias anteriores continua. Entretanto, as crianças são mais velhas e lidam com problemas que muitas crianças de rua de sua idade encontram. Fred, Mohammed, Nelson, Marion e Joe continuam a viver nas ruas, enquanto que Célia e Sammy vivem em um lar para crianças de rua. Nas histórias, os personagens recordam cenas de seu passado com o objetivo de apresentar adultos acolhedores que valorizam as crianças e oferecer perspectivas saudáveis. Tony e Keeman surgem como personagens para ilustrar os efeitos de comer comida estragada, como tratar a diarréia, ciclos de violência e maneiras alternativas de lidar com situações difíceis com não violência.Alisha torna-se parte do grupo quando a família de crianças de rua vai para uma escola de crianças de rua e encena um drama sobre AIDS para a comunidade. Quando ela é armadilhada num bordel, a família de crianças de rua se envolve. Esta é uma oportunidade para desenvolver empatia pelos mais jovens armadilhados, para ficar mais a par dos truques dos predadores, para aprender sobre os direitos das crianças e para explorar os efeitos da honestidade e da corrupção e os fatores que contribuem para elas. 

As histórias são combinadas com discussões nas quais são desenhados paralelos das histórias com as possíveis realidades que as crianças podem encontrar. As discussões permitem às crianças conversar sobre seus sentimentos e experiências num ambiente acolhedor. Seus sentimentos em resposta a eventos dolorosos e difíceis são aceitos como reações normais. Algumas das atividades de acompanhamento propiciam às crianças a oportunidade de expressar seus sentimentos artisticamente. Algumas atividades dão-lhes a oportunidade de desenvolver uma voz contra a violência enquanto outras os ajudam a desenvolver habilidades positivas e adaptativas sociais e emocionais.  

Para as crianças mais velhas, as histórias servem como um meio de educar sobre e discutir temas relacionados à violência doméstica, morte, HIV/AIDS, drogas, traficantes de drogas, maturidade masculina e feminina, abuso sexual, abuso físico, prostituição, tráfico sexual, tráfico de trabalho, corrupção, cuidar dos irmãos mais jovens, comer de forma errada, e higiene. Os temas medo à noite, os efeitos das drogas, pobreza, pedir, roubar, o risco de morte rápida devido à diarréia, medo quando os adultos discutem, ficar seguro de adultos não seguros, não violência, o direito à educação, os direitos da criança, fazendo a diferença e desejo de aprender são abordados. 

As histórias apresentam maneiras de pensar e métodos positivos para enfrentamento de situações. São combinados com discussões nas quais são esboçados paralelos das histórias com as possíveis realidades que as crianças podem encontrar. Para os estudantes mais velhos, a criação de dramas para educar a comunidade sobre HIV/AIDS e sobre tráfico de crianças é encorajada – para fortalecer as crianças, engajar a comunidade numa atividade na qual se beneficiam das crianças de rua, e para elevar o nível de consciência na comunidade de outras crianças e adultos, de tal maneira que a porcentagem de pessoas atingidas por HIV/AIDS e tráfico de crianças se reduza. 

Os materiais do VIVE –Crianças de Rua para as idades 11 a 14 anos sugere um nível mais amplo de envolvimento da comunidade do que nas idades anteriores. É importante para quer a percepção da comunidade em relação às crianças de rua mude. Adicionalmente a contribuírem através de dramas educacionais, os estudantes poderiam contribuir para a agência de crianças de rua e a vizinhança ou área na qual está localizada. Uma possibilidade é estarem envolvidas em aprender sobre o meio ambiente e desenvolverem habilidades vocacionais. Os estabelecimentos de negócios na comunidade poderiam ajudar provendo conhecimento ou materiais. É importante prover workshops vocacionais sobre habilidades e comércio necessários localmente. É nossa esperança que uma vez que a comunidade esteja se beneficiando das crianças de rua, adultos e pessoas de negócios na comunidade oferecerão aulas, conhecimento e oportunidades. E que a juventude desenvolverá habilidades que os tornem capazes de deixar as ruas, se assim escolherem. 

Um enfoque multifacetado 

O enfoque adotado no VIVE-Crianças de Rua é multifacetado. No processo descrito abaixo, especificamente para o programa para 11 a 14 anos, cada processo continua quando o próximo começa. 

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Histórias da Família de Crianças de Rua na publicação do VIVE-Crianças de Rua de 3 a 7 anos.“Fred olhou para o sapato quando eles terminaram. ‘O que você acha?’ Perguntou ele a Mohammed” 

Processo 1: Construir um sentimento de segurança, confiança e bem-estar,  através de relacionamentos baseados em valores e elementos psicosociais

Processo 2: Construir recursos pessoais – habilidades intrapessoais e interpessoais

Processo 3: Iniciar o processo de cura em relação às experiências negativas do passado

Processo 4: Desenvolver habilidades sociais de proteção

Processo 5: Aprender sobre direitos humanos e os trabalhos do mundo real; começar a contribuir com a comunidade

Processo 6: Desenvolver habilidades de relacionamento com o mundo real; interagir beneficamente com o meio ambiente e aprender habilidades vocacionais 

Uma atmosfera segura baseada em valores : Muitas crianças de rua sofreram a perda dos pais, vêm de lares abusivos e/ou passaram por muitos traumas enquanto nas ruas. O estabelecimento de um ambiente seguro e de atenção e relacionamentos de confiança são especialmente importantes para as crianças que vivenciaram traumas. Este ambiente é crucial se desejamos que aprendam tudo que podem, fiquem confortáveis em se expressarem, e comecem a curar-se e desenvolverem-se numa direção sadia. As crianças funcionam no seu melhor num ambiente acolhedor de respeito, cuidado, entendimento, paciência e regras claras ao invés de um de culpa, vergonha e raiva. A oportunidade para elas de compartilharem seus pensamentos e sentimentos numa atmosfera respeitosa e segura e serem reconhecidos é de um valor inestimável. Seu vocabulário, habilidade para pensar de maneira construtiva, e habilidades de pensamento crítico irão desenvolver-se acompanhando o seu crescimento emocional, relacionamentos de confiança e auto-estima. Por estes motivos, o treinamento prévio ao uso dos materiais do VIVE-Crianças de Rua é exigido.  

Elementos psicossociais e de proteção: Elementos psicossociais no programa estão delineados para aumentar o bem estar mental e emocional assim como para fomentar o bem estar nos relacionamentos com os outros. As crianças têm a oportunidade de expressar os seus sentimentos sobre a morte, violência e abuso, e uma ampla gama de outros temas através de desenhos, mímica e palavras. Seus sentimentos são aceitos como reações normais a horríveis acontecimentos. Os estudantes não são obrigados a participar, mas podem expressar o que quiserem. Um senso de bem estar é também alimentado através do estabelecimento de uma rotina, serem ouvidos, interação com os fantoches, representação e canto.  

As crianças necessitam desenvolver um sentido de sua própria experiência; isto é vital no aumento do senso de bem estar. O entendimento é desenvolvido de várias maneiras: às crianças novas é oferecida uma explicação simples de porque os adultos vendem drogas para crianças ou abusam sexualmente delas. Quando o tópico de pessoas que morreram aparece numa lição, é sugerido que o educador, ou alguém com conhecimento sobre a religião ou as religiões das crianças explique a morte em termos apropriados para a idade delas. 

O VIVE-Crianças de Rua também contém diversos métodos para incrementar os “fatores de proteção” associados à resiliência. Estes são importantes para ampliar a capacidade da criança para enfrentar situações e conseqüentemente facilitar a recuperação em relação a experiências traumáticas (Tolfree, 1996). Um elemento chave é construir bons e emocionalmente apoiadores relacionamentos com os educadores. O treinamento do educador é um fator crítico para implementar o VIVE-Crianças de Rua com sucesso. 

O VIVE-Crianças de Rua provê efetivamente um outro fator de proteção, “um clima educacional que é emocionalmente positivo, aberto, orientador e orientado por normas”. As atividades de vivência de valores são participativas e centradas na criança. A atmosfera baseada em valores é positiva, aberta, acolhedora e sustentadora. Os educadores são capacitados sobre como estabelecer normas claras de maneira colaborativa com os estudantes e a ajudá-los a aplicarem as habilidades a novas preocupações e conflitos. 

É intenção que educadores da cultura dos estudantes façam as atividades com as crianças de rua. Isto provê diversos fatores positivos e salvaguardas quando os educadores participaram de um treinamento do VIVE-Crianças de Rua. Um: a maneira como o programa é desenvolvido estará naturalmente mais de acordo com as normas interpessoais da cultura. Dois: os educadores locais estarão conscientes dos perigos que a criança enfrenta, os métodos usados para passar por eles, e os recursos locais. Três: os educadores estarão familiarizados com as tradições culturais, canções, jogos e danças e serão capazes de adicionar estas tradições ao programa. Quatro: Relacionamentos com educadores apoiadores aumentarão a confiança e resiliência dos estudantes.  

O Resultado 

As lições do VIVE-Crianças de Rua são algumas vezes dadas por educadores nas ruas, mas mais freqüentemente em centros comunitários, abrigos, e escolas e equipamentos para crianças de rua. Relatórios narrativos vindos dos educadores de rua em três países são encorajadores. 

No Vietnã, um grande número de educadores de rua em escolas para crianças de rua e de organizações não-governamentais (ONG´s) receberam o treinamento e estai usando o VIVE-Crianças de Rua. A educadora de crianças de rua Sra. Tyuet notou uma dramática mudança nos estudantes e na atmosfera em sua classe de crianças de rua após a implementação do VIVE-Crianças de Rua. Ela relatou que as crianças agora adoram estar em classe: elas trabalham com afinco, desenvolveram muito amor pelos educadores e o conflito reduziu-se dramaticamente. Elas estão também compartilhando e ajudando umas às outras – isto é algo novo já que antes costumavam brigar por brinquedos, etc. Um exemplo disto envolveu uma menina que tinha de vender 100 bilhetes de loteria todo dia antes que seus pais permitissem a ela ir à escola. Isto era praticamente impossível, então era raramente conseguia ir à escola apesar de que queria muito ir. Num ato de cooperação e amor, três de seus colegas de classe escolheram apoiá-la ajudando a vender os bilhetes, de tal modo que ela poderia ir à escola mais regularmente. 

Os educadores de um centro para meninas abusadas sexualmente no Vietnã compartilharam que os estudantes desenvolveram seus próprios valores participando das lições do VIVE-Crianças de Rua e têm maior respeito por seus amigos e educadores. As atitudes dos estudantes em relação uns aos outros também mudaram, e eles desenvolveram maior harmonia entre eles. Eles agora estudam com maior afinco e gostam mais das suas aulas. Os conflitos antes freqüentes decresceram consideravelmente. 

A srta. Kim Anh achou as lições sobre o amor muito especiais e ficou grata de poder usar o VIVE-Crianças de Rua com seus alunos. Um dia, um menino disse na classe: “Estou com tanta fome”. Ele disse isto em palavras arrastadas, com um rosto pálido, por causa da fome. Um garotinho em pé perto dele respondeu docemente e compartilhou um pouco de pão com ele. Parece que os estudantes adotaram um dos principais conceitos das Histórias da Família de Crianças de Rua do VIVE: Uma família de crianças de rua é uma família onde se ama e se cuida uns dos outros. 

A coordenadora do VIVE no Vietnã, Trish Summerfield, compartilhou o seguinte feedback de uma outra educadora: “Antes de usar as atividades do VIVE-Crianças de Rua com seus alunos, eles eram muito agressivos com freqüentes brigas, não conseguiam cooperar uns com os outros, juntavam-se em grupos e entravam em distúrbios, e tinham muito medo de estranhos. Depois de estudarem as atividades do VIVE-Crianças de Rua eles são agora confiantes e amigáveis com os adultos e com seus colegas. Não há quase conflito nas aulas e agora também não entram em distúrbios depois da escola. Os estudantes também desenvolveram muitas encenações sobre como manter-se seguro de adultos perigosos e realmente gostam de encenar. Agora quando eles estão nas ruas e vêem crianças que são novas nas ruas, dão-lhes apoio e aconselhamento e convidam-nas para se encontrarem com a educadora deles e juntar-se a eles nas aulas.” 

No Brasil, mais de 500 educadores de crianças de rua ou em situação de risco passaram pelo treinamento desde setembro de 2003, atendendo a mais de 10.000 crianças de rua. Rodrigo Brito, Coordenador para os treinamentos de educadores de rua relatou: ” Educadores de instituições que cuidam de crianças em situação de risco e crianças de rua, com um forte histórico de violência em suas vidas, foram treinados. Como resultados iniciais, os educadores relatam uma significativa melhoria em quase todos os itens de comportamento incluídos na avaliação: grupos de adolescentes com um histórico de conflito permanente conseguiram pela primeira vez serem capazes de discutir suas diferenças, cooperar uns com os outros e amar uns aos outros. Os jovens estão interessados em prosseguir com o programa. A melhoria na auto-estima das crianças e uma nova atitude nos educadores é muito visível.” 

Verquínia Gregório compartilhou sua experiência ao trabalhar com alguns dos mais agressivos e violentos jovens de rua, de 16 a 20 anos, em São Vicente, Brasil, na FEBEM, uma instituição para menores que cometeram delinqüência. “Após apenas a primeira lição podíamos sentir uma atmosfera mais leve no local. E desde esse momento, os jovens sempre pediam a continuidade do programa, dizendo, na sua forma de se expressarem: “... estas aulas vieram nos trazer um pouco de paz ...”, “ ... depois que a senhora começou com estas lições, a cadeia ficou mais leve ...” Conforme os rapazes iam tomando contato com as atividades do programa, podia-se notar uma melhor cooperação e entendimento entre eles e entre eles e os profissionais. O sentimento de revolta, antes sempre presente, começou a extinguir-se e podia-se ver claramente os rapazes sentirem-se mais seguros e mais auto-confiantes. As outras pessoas que trabalhavam com estes jovens ( psicólogos, assistentes sociais, educadores, diretores e mesmo agentes de segurança) diziam que os rapazes estavam experimentando uma real transformação. Embora tenhamos trabalhado com o programa por apenas dois meses, aplicando três lições por semana, o progresso dos meninos evidenciou quanto o Programa traz resultados efetivos.” 

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Demonstrando Resolução de Conflitos durante treinamento VIVE para Educadores de Rua na Indonésia 

Marilda Fonseca, Coordenadora da Obra Social da Paróquia São Mateus Apóstolo relata: “Em março de 2004 uma outra educadora e eu estávamos procurando possibilidades de treinamento para ajudar os adolescentes em situação de rua. Foi então que fizemos contato com o Vivendo Valores, e fomos ao workshop de apresentação. Durante o programa de treinamento tivemos a oportunidade de olharmos dentro de nós e nos apercebermos de que a primeira mudança teria que ser a nossa mudança, sentirmos que éramos valiosos, e então, equipados com esta poderosa “arma” que é a presença educacional na vida dos estudantes, aceitamos o desafio de aplicar as atividades do Vivendo Valores com as crianças e adolescentes. Cada um na sua unidade reproduziu o que ele ou ela tinha vivido e sentido no programa de treinamento. Em um grupo de meninas jovens com um histórico de violência muito intensa, o grupo parou de baterem uns nos outros, antes disso éramos obrigados todos os dias a parar uma briga entre elas. Nas creches implementamos o Cantinho da Paz. Quando as crianças não estavam bem elas eram convidadas a ir lá e receber amor. Isto mudou o sentimento de punição e os educadores mudaram, vendo agora a criança como um ser em processo de desenvolvimento como ela/ele realmente é; vimos que todos os educadores se envolveram na percepção de que as crianças necessitam de amor e que podemos transformá-las pelo amor. Em 2005 o Vivendo Valores para Crianças de Rua e em Situação de Risco foi incorporado ao planejamento da Obra Social com a meta de implantá-lo em todas as unidades da organização; cada unidade avançou em seu próprio ritmo, umas mais, outras menos, mas todas elas com fantásticas experiências de mudança.  

Em todas as nossas reuniões nós estamos usando agora as canções e algumas dinâmicas do VIVE, e os resultados são surpreendentes. Descobrimos que os educadores mudaram sua visão em relação a suas próprias vidas e também em relação a seus alunos, eles são agora mais receptivos e sustentadores. Estamos nos reunindo todos os meses, todos os educadores já treinados no VIVE, 26 novos educadores, 9 de nossa organização e os outros de outras ONG´s na nossa região foram treinados. Nós, da Obra Social de São Mateus, definimos o VIVE como uma proposta caracterizada pela simplicidade, barata de ser aplicada, apenas precisando de boa vontade de quem a aplica. Aqueles que o recebem ganham paz, amor e a possibilidade de reconhecer a si mesmo ou a si mesma como um ser muito importante para a nossa humanidade.” 

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Crianças no Brasil durante uma discussão como parte de uma lição do VIVE-Crianças de Rua. 

Na África do Sul, uma das capacitadoras do VIVE-Crianças de Rua, Lalitha Sharanund, relata: “Mudanças positivas nas crianças já são observadas, algumas delas deixaram de cheirar cola. No Abrigo de Rua Alice de Durban, as crianças apreciam os exercícios imaginar e de focalização e a importância de serem pacíficas e não violentas. A equipe do nosso museu local está ensinando as crianças de rua para ganharem um rendimento. Duas escolas convidaram algumas crianças de rua com seu coordenador para as suas escolas. As crianças de rua sentaram nas salas de aula com outras crianças e sentiram como é estar numa escola, tendo brincado, cantado e comido com os alunos. Nós em Pietermaritzburg há alguns meses notamos mais crianças querendo ir à escola e de volta para suas casas porque a equipe de rua tornou-se mais baseada em valores. Também a equipe do VIVE criou uma amizade com as crianças. Elas ficam tão deliciadas e felizes quando nos vêem e compartilham seus obrigados dos seus corações e chamam-nos de mum.”  

Estes relatos positivos são encorajadores, servem para nos lembrar do potencial de todas as crianças. Há muito, muito mais trabalho que precisa ser feito e muitos mais recursos que precisam ser alocados às dedicadas agências que cuidam das crianças de rua. Juntos, com amor, respeito, determinação e dedicação, nós podemos fazer diferença.     

Nota do Editor: Este artigo de Diane Tillman, a autora principal do Programa Educacional Vivendo Valores, descreve as vidas deploráveis das crianças de rua e um enfoque singular de educação em valores para atingir estas crianças tão necessitadas disso. Este artigo usa relatos narrativos de educadores de rua em vários países para mostrar o impacto do programa. Por gentileza, tomem como referência a Folha de Informações para mais informações sobre o Vivendo Valores, um Programa Educacional. 

Um projeto de pesquisa da UNESCO/UNITWIN, coordenado pela Universidade de Johannesburgo na África do Sul, estudará os efeitos da implantação do VIVE-Crianças de Rua com crianças de rua na África do Sul em 2006. 

Referências e Recursos:  

  • Delors, J., Mufti, I.; et al. (1996). Learning: The Treasure Within, Report to UNESCO of the International Commission on Education for the Twenty-first Century. UNESCO Publishing/The Australian National Commission for UNESCO. 
  • Pangaea. (2005). Street Children. http://pangaea.org/street_children/kids.htm 
  • Tillman, D., Hsu, D. (2000). Living Values Activities for Children Ages 3–7. Deerfield, FL: Health Communications, Inc. 
  • Tillman, D. (2000). Living Values Activities for Children Ages 8–14. Deerfield, FL: Health Communications, Inc. 
  • Tillman, D. (2002a). Living Values Activities for Street Children Ages 3–6. 
  • Tillman, D. (2002b). Living Values Activities for Street Children Ages 7–10. 
  • Tillman, Diane. (2003). Living Values Activities for Street Children Ages 11–14. 
  • Tolfree, D. (1996) Restoring Playfulness: Different Approaches to Assisting Children Who Are Psychologically Affected by War or Displacement. 
  • Radda Barnen, Swedish Save the Children: Scandbook, Falun, Sweden. 91-88726-46-0 

Vivendo Valores – um Programa Educacional (VIVE) é coordenado pela Association for Living Values Education International (ALIVE), uma associação sem fins lucrativos de educadores das várias partes do mundo. É apoiada pela UNESCO, patrocinada por uma ampla gama de organizações, instituições e indivíduos, e está sendo aplicado em todos os continentes. O VIVE é parte do movimento global para uma cultura de paz na estrutura da Década para uma Cultura de Paz e Não Violência para as Crianças do mundo, das Nações Unidas. 

Autora: Diane G. Tillman é uma Psicóloga Educacional Licenciada e Terapeuta em casamento e Família nos Estados Unidos. Ela coordena conteúdo e treinamento para a Association for Living Values Education International e é a principal autora da série de livros do Vivendo Valores.  

 
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